Célia Cor de Rosa

Hoje, 19 de outubro, é o dia mundial de combate ao câncer de mama. Nada mais apropriado neste dia, deixar aqui registrado um depoimento de Celia de Jesus que vive a dor e a magia de enfrentar a batalha do câncer de mama.

A vocês, mulheres guerreiras, toda a minha admiração e respeito.

 “Travar batalha contra o câncer de mama foi renascer de novo. Ainda mantenho o tratamento contra a doença, mas o que importa mesmo é a minha superação. Iniciei o tratamento contra o câncer de mama um processo que incluiu uma cirurgia para a retirada de um nódulo descoberto, uma quadrantecetomia, quatro ciclos de quimioterapia, 35 dias de radioterapia, uma extensa bateria de exames e um sem-fim de incertezas... Quem está aqui agora? É uma nova mulher! Bem mais forte! E bem mais feliz! Uma mulher mãe de duas filhas lindas... Uma mulher realizada que agora enamora a vida o tempo todo. Suspeitei em um exame e levei a questão para o meu médico, de quem ouvi que “não é nada”. Desconfiei e segui investigando. A fase mais difícil foi a de descobrir em que estágio estava à doença.

É como pisar em ovos: não sabia o que iria encontrar pela frente. Só tinha perguntas e interrogações: o que será da minha vida, da família, das filhas e dos meus amigos? Vou ter força para passar por isso?  Era um tumor maligno. Mas a luta não era somente contra ele. A guerra que ali se iniciava tinha outros inimigos, tão perigosos quanto os pensamentos negativos, as notícias ruins, os estereótipos criados em torno do tratamento e um árduo processo mental para desvincular duas palavras que costumam vir associadas: câncer e morte. O câncer é uma doença muito psicológica. Quando você fala que está com câncer, logo te olham com cara de piedade, como se você estivesse morrendo. A primeira coisa que pensei e trouxe logo de imediato para minha vida foi: - Tudo vai dar certo. Quando fui para a sala de cirurgia fui com muita coragem, muito mais do que o medo. Tinha medo sim, mas junto com os pensamentos negativos quando vinham à cabeça, e eu os afastava dizendo: - “Vocês não pertencem a este corpo” Não permiti, porém, que a minha vida ficasse de lado. Eu procurava não vivenciar só a doença. Minha vida não era o câncer. Claro que os momentos mais difíceis vinham, e eu soube respeitá-los.

Por mais que eu era extrovertida, tinha dias em que eu só queria ficar no meu quarto e na minha cama. Eu não me dava o direito de sentir tristeza. Sentimento que aprendi a lidar. Sabia da imensão da coisa, porque sou uma profissional da saúde, e também não escondi de ninguém, não fantasiei nada. Às vezes a tristeza insistia em me abater, mas a minha alegria era transparente. E a minha vida é hoje é assim... Muito transparente.Não deixei de freqüentar a minha Igreja e criei uma rotina de oração. Veio daí boa parte da fortaleza que encontrei para superar o momento.Por mais que família, equipe médica e todos os amigos ajudassem, a força vinha de mim.

É aí que entra a questão da superação. Onde eu buscava isso? Onde estava escondido isso? Dentro de meu ser... A força que eu tinha interior que nem imaginava possuir. E foi nesses momentos de crise, problema e doença, que a encontrei. Assim como o amor, eu precisei cultivar a fé. Hoje eu tenho outros valores e um novo olhar para o mundo. Não sei explicar muito bem como, mas vejo tudo diferente, o sabor da vida é outro, e os problemas agora são tão pequenos. O que sinto hoje? É gratidão! Porque não tenho outra palavra para descrever... Só sei que está encerrando um período muito difícil e passageiro. Foi, sobretudo, um tempo para eu repensar a minha vida e descobrir o que realmente era fundamental nela.”

Confira as fotos:

Comentários

  • Walkiria Samapio Cedro

    Amei a história de superação de Célia vir de rosa. No meio de uma situação de risco Deus nos faz encontrar novos caminhos pra ser feliz.

    • Lindo depoimento, irmã. bjs

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